Como e por que saber o valor da sua empresa

Ao decidir vender uma empresa, independente dos motivos que levaram a isso, o empreendedor, especialmente o de primeira viagem, pode se ver perdido. Como avaliar o valor do negócio? O que deve ser considerado? É essencial contar com a ajuda de profissionais especializados?

Segundo o master franqueado da Sunbelt Business Brokers para o Brasil (consultoria especializada em intermediação de compra e venda de empreendimentos), Batista Gigliotti, não há momento certo ou errado para se vender uma empresa. Entre os principais motivos alegados por quem decide passar seu negócio para frente estão aposentadoria, cansaço, mudança de cidade, doença, dificuldades tecnológicas, brigas com sócios ou separações. “O momento certo seria quando o dono não se sente mais capaz, não só do ponto de vista financeiro, mas sem disposição física e mental”, avalia o consultor.

Calcular devidamente o valor da empresa, no entanto, vai além da venda. Para o consultor, precificar o negócio pode ajudar a traçar planos estratégicos para aumentar o patrimônio. “Quando se faz essa avaliação, identifica-se onde estão os pontos a investir e se dedicar e, assim, chegar ao valor que lhe convenha”, afirma Gigliotti.

De acordo com o livro “Valuation, metodologias e técnicas para análise de investimentos do valor financeiro de empresas”, do pós-doutor em Administração de Finanças pela Universidade de São Paulo (USP) José Odálio dos Santos, publicado pela editora Saraiva, o cenário brasileiro torna evidente a importância do assunto.

Isso porque há uma concorrência agressiva, elevada carga tributária, além de dependência constante de fatores adversos como aumento das taxas de inflação, juros e câmbio. “Como resultado da conjugação desses eventos, muitas empresas deixaram de existir ou foram adquiridas por investidores/concorrentes por valores não compatíveis com seus reais potenciais de geração de receita”, diz a publicação.

Variáveis 
O livro “Valuatin” destaca que o cálculo de mercado das corporações acontece a partir da coleta, análise e monitoramento de informações detalhadas do risco de suas atividades operacionais. Em outras palavras, o valor da sua empresa reflete como o mercado enxerga sua capacidade de gerar receita e ter retorno.

Apesar de parecer simples, o investidor-anjo e fundador da Aceleradora Yuri Gitahy destaca que as diversas variáveis a serem consideradas fazem essa operação ser mais complicada do que parece. “A avaliação é normalmente estimada em três versões – a dos empreendedores, dos investidores ou compradores, e da empresa – e, por isso, torna-se essencial negociar muito para se encontrar um meio termo”, afirma.

Como destacou Gigliotii, há várias metodologias de avaliação. “No mundo, hoje, existem mais de 870 metodologias de avaliação de um negócio. Tem avaliação por fluxo de caixa, a mais usada quando a empresa não tem um histórico consistente, mas há projeção de futuro, de mercado, por comparação, por abordagem de ativos, entre muitas outras”, diz.

Batista Gigliotii lembra que devem ser considerados valores ativos tangíveis, como móveis, construção, imóveis, veículos, o que é fácil administrar e valorizar. No entanto, a dificuldade de calcular o valor de um negócio surge no momento de se considerar os valores intangíveis como contratos de exclusividade, de parcerias, lista de clientes ativos e valor da marca no mercado. “Colocar um valor significa levar em consideração os custos e o preço que resolve isso, mas há limitadores como o quanto o cliente está disposto e pode pagar pelo produto. Além disso, o que a concorrência cobra também influencia na avaliação.”

Gitahy destaca a influência dos aspectos passivos como débitos, promissórias, financiamentos e processos trabalhistas, que serão subtraídos do valor dos ativos. “Para complicar ainda mais a definição de valor da empresa, é preciso projetar as receitas da empresa no futuro, verificar o crescimento previsto do mercado e definir planos de negócios com diversos cenários”, avalia Yuri.

Além de aspectos da própria empresa e da concorrência, a economia em geral também exerce influência no momento de precificar o negócio. Não apenas índices gerais, como taxa de juros, inflação e câmbio, mas também atributos como o desenvolvimento tecnológico, as necessidades da população e a economia das regiões.

Ajuda
Para Yuri Gitahy, a dificuldade mais comum em processos de compra e venda de PMEs é a falta de formalidade. “É necessário definir bem os termos de negociação, registrá-los em contratos específicos – como acordos de confidencialidade e termos de valuation – além de garantir que todo o processo seja acompanhada por um advogado (ou equipe jurídica) de confiança”, ressalta.

De acordo com ele, isso garante a defesa dos direitos e interesses da empresa e reduz os riscos da negociação gerar algum efeito colateral que possa influenciar negativamente no seu valor de mercado ou na sua reputação entre outros investidores.

Para o franqueado da Sunbelt Business, quem vê o negócio de fora tem mais imparcialidade do que o dono do negócio. “Às vezes, os empresários incluem no valor despesas pessoais que só oneram mais”, explica.

O preço de uma consultoria especializada não só para calcular o valor de venda do negócio, mas também para intermediar toda a negociação, como é o caso da Sunbelt,  pode variar de 2,5 mil a mais de 20 mil reais.

Passos
De acordo com o livro “Valuation”, algumas coisas são básicas em relatórios de avaliação. São elas:

– Introdução com descrição dos objetivos da avaliação
– Breve descrição da empresa
– Dados do mercado de atuação
– Dados contábeis-financeiros
– Panorama Macroeconômico
– Panorama político
– Bases de avaliação
– Custo de capital
– Cenários para a projeção de resultados
– Resultados da avaliação

 

Fonte: Débora Álvares – Exame.com

Published in: on 24 de janeiro de 2012 at 17:26  Deixe um comentário  

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