Psicopatas no trabalho

Por que há tantos psicopatas no meio corporativo?

O psicopata acha a posição executiva atraente porque ela permite que ele controle outras pessoas, além de facilitar o acesso a grandes quantias de dinheiro e ao prestígio do cargo, o que alimenta sua visão egocêntrica e narcisista do mundo. Ele vai exercendo poder sobre as pessoas até se tornar mais poderoso do que qualquer outro profissional da empresa. Para o psicopata organizacional, uma posição executiva permite que ele manipule, domine e controle sem que sofra as consequências. Caso seja descoberto, ele culpa outra pessoa ou simplesmente escreve um novo currículo com qualificações e experiências fraudadas e parte para outra empresa.

Como podemos nos proteger destes manipuladores? Existe uma conduta que as pessoas possam adotar para evitar se tornar vítimas?

Geralmente, o psicopata organizacional escolhe uma vítima psicologicamente vulnerável, que está procurando atenção, uma promoção e que é ambicioso. Então, isola esta vítima dos outros colegas de trabalho e inicia uma série de ataques psicológicos, fazendo-a sentir medo de que os outros não acreditem nela, ficar envergonhada com a situação e as chantagens que sofre, podendo imaginar que está “louca” e desenvolver ansiedade e depressão. A melhor arma que qualquer pessoa pode usar é conhecer como o psicopata pensa e age, para aprender a lidar com ele.

A empresa também pode treinar seus empregados para reconhecer o comportamento do psicopata, pois, uma vez que as pessoas souberem o que devem procurar, terão maiores chances de discutir o tema. Ao mesmo tempo, a companhia precisa monitorar os suspeitos e controlar seu comportamento de perto. Isto pode levar o psicopata a pedir demissão. Pesquisas sobre psicopatas mostraram que programas de reabilitação os tornam ainda piores, pois eles usam as habilidades aprendidas na reabilitação para se tornarem ainda mais eficazes.

Como você descreveria o “psicopata de sucesso”? Do que ele é capaz?

O psicopata de sucesso é incontrolável. Ele tem tanto poder e controle na organização que ninguém o desmascara, afinal, ele costuma ser visto de fora como um empresário de sucesso. Caso seja descoberto, ele culpa outras pessoas ou encobre seu comportamento com mentiras e fraudes.

Que novidades você traz em Trabalhando com Monstros? O que o inspirou a escrever este livro?

O livro apresenta informações para as vítimas e para as organizações sobre como reconhecer e se proteger de um psicopata. E espero que ele aumente a atenção para o problema e que empresas e governo possam tomar atitudes para proteger as vítimas. Eu o escrevi porque estava recebendo mais vítimas de psicopatas em meu consultório do que eu era capaz de atender. Então, decidi empoderar um número maior de pessoas, contando o que eu vi, pois percebi que se tratava de um problema desconhecido de grande parte da sociedade. Se pelo menos um leitor do meu livro se livrar do psicopata, então meu objetivo foi atingido.


Leia abaixo um trecho do livro de Clarke e entenda como os psicopatas corporativos são capazes de manipular.

Manipulando Empresas

O psicopata corporativo manipula a empresa desde o início. A manipulação acontece em todos os estágios de sua carreira – começa quando o psicopata se candidata ao emprego e continua enquanto ele ascende nos níveis da empresa. Algumas vezes, quando a manipulação é descoberta, o psicopata corporativo está em uma posição tão poderosa que é difícil lidar com a situação. Isso custa à companhia quantias enormes de dinheiro e pode ser devastador para as pessoas que trabalham co ou para o psicopata corporativo.

Como o psicopata escolhe seu empregador

Psicopatas corporativos preferem trabalhar em empresas que estão passando por mudanças, reestruturação ou expansão rápida. Esses ambientes corporativos caóticos tornam mais fácil para o psicopata permanecer despercebido por períodos maiores de tempo, já que eles se escondem por trás da confusão da empresa. Em alguns casos, o psicopata pode até parecer ser um empregado em ascensão porque ele rouba as idéias de outras pessoas e as apresenta para a direção como sendo suas.

Dianne estava tentando desesperadamente impressionar seu chefe, já que as pessoas estavam começando a questionar seu pobre desempenho de trabalho. Ela constantemente deixava de entregar os trabalhos que lhe eram designados e, quando o fazia, eram de uma qualidade tão ruim que tinham de ser refeitos por outra pessoa. Dianne costumava falar com todos que podia no escritório, fingindo estar interessada em seus projetos e reclamando de que a companhia não aceitava pensamentos criativos e novas ideias.

Outro funcionário, Ian, concordava com ela e, conforme conversavam sobre as coisas e se conheciam melhor, ele confidenciou a ela que tinha ideais que poderiam melhorar a empresa. Dianne ouviu atentamente, concordando com ele, elogiando e garantindo que ela iria manter as ideais dele em segredo. Logo em seguida, Dianne escreveu um relatório sugerindo as mudanças de Ian para a direção, que examinou e adorou as ideias.

Dianne passou a ser considerada uma empregada fantástica e seu chefe imediato recebeu ordens para pressioná-la menos, já que ela era uma “funcionária em ascensão” e precisava de espaço para a criatividade. Também disseram a ele que nem todo mundo podia ser tão brilhante e criativo como Dianne e que, se ele estivesse com inveja dela, era melhor ir embora em vez de ficar descontando nela.

Quando o chefe de Dianne e Ian confrontaram a direção e alegaram que as ideias, na verdade, pertenciam a Ian, eles ouviram que era patético tentar roubar o crédito pelas ideias de Dianne e que pessoas como eles podiam ser mais adequadas para outra empresa a menos que se comportassem mais profissionalmente. Dianne não apenas conseguiu ficar na empresa, mas também garantiu proteção por parte da direção para seu inadequado comportamento no trabalho. Os colegas de Dianne e de Ian ficaram divididos sobre quem havia tido as ideais. Dianne tinha “turvado” as águas de tal maneira que eles não sabiam em que ou em quem acreditar.

Fonte: Amanda Kamanchek – Você S/A

Published in: on 17 de janeiro de 2012 at 18:06  Deixe um comentário  

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