A inovação salva, mas também perturba

Para fazer diferente, é preciso arranjar espaço tanto na agenda como dentro de si. Pena que os líderes não têm hábito de parar para pensar e costumam cair na armadilha de tentar repetir seu êxito mais recente.

Essa é a visão de Rosabeth Moss Kanter, pesquisadora da Harvard University, considerada, por muitos, visionária. Para ela, as “supercorps” são empresas que sabem extrair o melhor do dinamismo de nosso tempo e, ao mesmo tempo, tornam-se agentes positivos de transformação do mundo.

“O problema não é só a falta de hábito de pensar. Há também a falta de tempo, devido à alta rotatividade das pessoas, não à correria do dia a dia”, constata a cientista social em entrevista concedida à revista HSM Management.

Ela explica que as gerações de executivos dentro das empresas encurtaram para três ou quatro anos. “E ainda existem empresas nas quais as pessoas ficam até a aposentadoria, como a Procter & Gamble, porém mesmo ela, hoje, contabiliza 40% a 50% de funcionários que permanecem em seus quadros por até cinco anos.”

Especialista em mudanças, após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, Kanter ficou preocupada com a situação das multinacionais no globo e decidiu pesquisar mais sobre elas. Enviou, então, uma equipe de alunos ao Egito para realizar entrevistas.

Um dos pontos levantados nessas conversas foi a participação da Procter & Gamble na criação do primeiro plano de saúde daquele país. O objetivo da empresa era oferecer os mesmos benefícios a pessoas de todas as partes do mundo. Por isso, realizou um trabalho com o governo egípcio. “Tal iniciativa me levou a pensar sobre qual o verdadeiro papel das multinacionais e se o conjunto de padrões de suas sedes pode ser transportado para outros países”, recorda.

Aprofundando pesquisas, constatou que uma combinação de fatores que estiveram na agenda por diversas décadas, não haviam sido completamente implantados até que a globalização acentuada do início do século 21 propiciasse sua plena realização.

Ela também constatou que a matriz não era mais essencial, pois as empresas rapidamente transferiam seus padrões – valores e princípios – para outros lugares por meio de seus funcionários, e que isso as tornam fortes agentes de mudança nos países a que chegam.

Supercorps: as gigantes da transformação

 “Elas começam modificando a si mesmas e podem transformar a sociedade”. A supercorp, empresa de vanguarda no século 21, apresenta, segundo a professora Kanter, as seguintes características:

•    Inova e lucra por meio de valores e princípios colocados no âmago da estratégia de negócios e que lhe permitem ter impacto positivo sobre a sociedade.
•    Entende que a criação de valor para a sociedade é tão importante quanto à criação de valor para o acionista ou para os funcionários.
•    Lidera a transformação partindo de si mesma, impactando seu setor e, por fim, modificando o mundo.
•    Sente-se responsável por toda a cadeia de valor: pelo fornecedor do fornecedor e pelo cliente do cliente.
•    Desenvolve produtos e serviços mais rapidamente, por ser parte de uma rede.
•    Quer ser escolhida como empregadora e, por isso, procura infundir significado ao trabalho e oferecer bons empregos, nos quais o bem-estar da família dos funcionários é levado em conta, os funcionários podem servir à comunidade em causas que considerem relevantes e a empregabilidade pode ser incrementada.
•    Vale-se de sua rede de parceiros para recolocar eventuais demitidos quando há necessidade de enxugar a estrutura.
•    Tem melhor desempenho em tempos de crise.

No centro de tudo está a inovação, pois a supercorp tem habilidade de vislumbrar a mudança e liderá-la. “Inovar é nossa maneira de progredir, e deriva de uma cultura em que as pessoas estejam motivadas, tenham acesso a novas ideias, sejam encorajadas a desenvolver tais ideias e possam se comunicar com seus colegas O TEMPO TODO. Na cultura da supercorp, todos têm oportunidade de inovar.”

A supercorp é apta e de vanguarda, mas não é exatamente estável. Afinal, “as inovações salvam as empresas, mas também as modificam”, segundo Kanter.

Referência:

Salib Neto, José. “A visão de raio X e a supercorp”. HSM Management, São Paulo, n. 81, p. 124, jul-ago de 2010.

Por Alexandra Delfino de Sousa, administradora de empresas e diretora da Palavra-Mestra.

Fonte: Portal HSM

Published in: on 20 de outubro de 2011 at 16:58  Deixe um comentário  

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