Boas práticas na educação de herdeiros

O mundo mudou, mesmo! Em aspectos que sequer imagina-se. Aspecto muito importante é a educação dos filhos que se torna, ainda mais especial, no caso das famílias empresárias.

Um exemplo: o modelo de família em que o pai saía para trabalhar e a mãe ficava cuidando dos filhos, está esgotado.  É mais comum ouvir, hoje:  “…este é meu pai novo…”; “…o Edinho é meu irmão por parte de mãe…”.

Saber qual o limite certo, ser muito repressor ou permissivo; dizer não na medida certa;  ser, ou não, controlador, são dilemas aos quais os pais estão constantemente expostos.

As famílias empresárias possuem, neste cenário, desafios adicionais. Necessitam despertar nos filhos o compromisso de gerir o patrimônio da família, gerar valor para as próximas gerações; conduzir o processo de sucessão de forma responsável e profissionalizada. Dentro desta missão destacam-se algumas orientações básicas:

1) Preparar os herdeiros para desempenhar o papel de sócios: A partir da segunda geração, aparece o papel de sócio, caso não tenha aparecido ainda na primeira geração. O fundador e demais pessoas da primeira geração devem passar para os jovens da geração seguinte, a noção de responsabilidade por pertencerem a uma família empresária; a importância de conseguirem articular-se societariamente com irmãos e demais parentes. O modelo de gestão aplicado pelo fundador, não mais será aplicável.

Faz parte, também, da preparação para que os herdeiros venham a ocupar esta posição, conviver com sócios, ensiná-los a ceder, cooperar, aceitar posições diferentes da sua própria, trabalhar em equipe.

2) Planejar o projeto de vida: Entre os maiores desafios dos herdeiros está a condição de tornarem-se pessoas bem resolvidas e felizes, no que diz respeito aos negócios da família.  A figura do pai como empreendedor bem sucedido, um super-herói no campo empresarial é, muitas vezes um peso enorme na formação dos filhos. É fundamental que a família esteja consciente de que cada herdeiro terá luz própria que inspirará seu próprio caminho profissional.

3) Fazer com que existam desafios: Como construir pessoas integrais, que não se acomodem na vida frente à perspectiva (muitas vezes irreal) de um patrimônio que nunca se acabará … “ ainda que eu não faça muita força para que ele seja mantido”?

Tarefa muito simples em algumas famílias empresárias,  mas  impossível para outras, é um fundamento para que o patrimônio não esteja ameaçado ao longo das gerações.

Os herdeiros devem ser estimulados, desde cedo, a identificar e buscar seus objetivos pessoais.  E neste caso, é válido o adágio:   “o exemplo vem de cima”.

4) Desenvolver uma relação saudável com o dinheiro: Por vezes os pais criam filhos dependentes.  Conhecer, na prática, o valor do dinheiro, da energia que deve ser aplicada à vida para consegui-lo, não tornar-se refém das facilidades e do conforto, são informações a serem levadas aos herdeiros.

Limites como fios condutores para que aprendam a fazer escolhas e encontrar alternativas para seus desejos, também são aspectos saudáveis nesta empreitada.

Nesta linha é que se formam indivíduos independentes e seguros, que reconhecem e utilizam suas competências em busca de realização pessoal.

5) Obter maturidade emocional: É comum observar nos jovens de hoje, a fragilidade de postura para lidar com frustrações. A facilidade para obter bens materiais; a inexistência do “não” em sua educação faz com que não consigam fixar objetivos (pequenos, médios e grandes) e traçar planos para atingi-los.

Aprender a ceder, a reconhecer seus erros, ouvir, pedir desculpas, por exemplo, contribuirá para que o herdeiro venha a ter mais facilidade no futuro frente à família (seus futuros sócios: irmãos e primos) e na vida em geral.

A família empresária já percebeu que não basta delegar a educação dos filhos à escola, às mulheres do núcleo familiar. O desafio da formação de pessoas conscientes que virão a ser responsáveis pelo patrimônio tangível e intangível, está nas mãos do conjunto de pessoas mais experientes da família.

Aceitar este desafio será saudável, a médio e longo prazo, para as pessoas e para o legado que será entregue às futuras gerações.

Fonte: Eduardo Najjar / Exame

Published in: on 7 de outubro de 2011 at 19:34  Deixe um comentário  

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